20/02 – Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo
Enf. Nalba Mirenda
NASS/DADEP/PROGEP
Fevereiro/2026
A dependência de drogas lícitas ou ilícitas é considerada uma doença pela Organização Mundial da Saúde e, segundo a própria OMS, o consumo de drogas ilícitas acomete cerca de 5% da população mundial, entre 15 e 64 anos de idade. Configura o uso de drogas na juventude como um dos principais motivos de anos perdidos na vida por incapacidade ou morte precoce.
De acordo com a Política Nacional sobre Drogas (Decreto nº 9761/2019), entre os anos 2000 e 2015, houve um crescimento de 60% no número de mortes causadas diretamente pelo seu uso, constituindo-se como um grave problema de saúde pública, com reflexos nos diversos segmentos da sociedade.
Política Nacional da prevenção sobre álcool e outras Drogas: “A efetiva prevenção ao uso de tabaco e derivados, de álcool e de outras drogas é fruto do comprometimento, da cooperação e da parceria entre os diferentes segmentos da sociedade brasileira e órgãos da administração pública federal, estadual, distrital e municipal, fundamentados na filosofia da responsabilidade compartilhada, na construção de redes que visem à melhoria das condições de vida e promoção da saúde da população, na promoção de habilidades sociais e para a vida, no fortalecimento de vínculos interpessoais, na promoção dos fatores de proteção ao uso do tabaco e de seus derivados, do álcool e de outras drogas e da conscientização dos fatores de risco”.
ONU: o número de mortes vinculadas ao consumo de drogas subiu de 450 mil/2015, para 585 mil/2017.
IBGE (2016): levantamento sobre a saúde escolar revela que o uso de cigarro por escolares do 9º ano do ensino fundamental foi de 18,4%, 55,5% referiram já terem consumido álcool e 21,4% já presentaram episódio de embriaguez.
O Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC) revelou que cerca de 269 milhões de pessoas no mundo usaram drogas só no ano de 2018, verificando-se um aumento de 30% em comparação com 2009. Qualifica a prevenção como fundamental para o controle internacional, além de repercutir na redução de gastos com saúde e benefícios sociais.
O tema deve ser discutido em diversos setores da sociedade, de modo a promover reflexões profundas, implicando não somente no uso abusivo, mas também em ações para redução da produção e circulação de drogas, assim como ações de reabilitação de pessoas que se tornaram dependentes. Porém, a rede assistencial do Sistema Único de Saúde (SUS) carece de serviços de emergência e cuidados hospitalares de maior complexidade para casos agudos de abuso de substâncias, assim como os serviços de reabilitação da Rede de Atenção Psicossocial (CAPS AD) também têm apresentado subfinanciamento e infraestrutura carente de ordem física e de recursos humanos, o que dificulta um trabalho articulado em rede.
O Consumo e a Saúde mental
Considerando que o cérebro jovem se encontra em processo de maturação neurológica, até por volta dos 20 anos de idade e que, toda injúria sofrida neste período pode ser determinante para uma série de prejuízos, como dificuldades para aprendizagem, para ajustamento social e profissional, aumentando a vulnerabilidade da saúde mental é impreterível a tomada de medidas preventivas com especial atenção à essa faixa etária.
Segundo Kessler et al. (2005), 50% dos casos de problemas de saúde mental tem início antes dos 14 anos e 75% até os 25 anos de idade.
Cabe lembrar que o uso de drogas é um fenômeno complexo, envolvendo fatores de risco que podem levar indivíduos propensos ao uso abusivo, como baixa autoestima, relações familiares disfuncionais, pobreza, fácil acesso às drogas, baixo rendimento escolar/baixa escolaridade. Por outro lado, fatores de proteção que diminuem as chances do uso e abuso, tais como: desenvolvimento de habilidades interpessoais, sociais, cognitivas e de conhecimento de sentimentos e emoções devem ser privilegiados nas estratégias de prevenção para redução dos fatores de risco (UNODC, 2014).
A prevenção é sempre o melhor tratamento
Ações preventivas e educativas direcionadas para o desenvolvimento humano devem ser planejadas e executadas pelos serviços de educação, saúde segurança pública, justiça e assistência social como incentivo à educação, à prática de esportes, à cultura, ao lazer em socialização ao conhecimento sobre drogas com embasamento científico. Tais serviços e os espaços familiares e sociais são repetidamente afetados, direta ou indiretamente, pelas consequências desastrosas do uso das drogas.
A data é fundamental para refletir sobre o papel das drogas no cotidiano da sociedade e das medidas de prevenção como essenciais, especialmente considerando a população de jovens, onde o uso de substâncias lícitas – como o álcool, cigarro e similares – tem se tornado cada vez mais abusivo e costuma ser a “porta de entrada” para o uso de outras drogas, pois ainda há abundante publicidade em nosso meio, como forma de estimulação de uma “suposta” imagem de sofisticação, ousadia ou liberdade.
Nesse contexto destaca-se a necessidade de estudos e intervenções educativas efetivas de prevenção e promoção da saúde que, de fato, atendam às necessidades dessa população-alvo, no caso os jovens, levando em conta os diferentes contextos psicossociais, econômicos e culturais que interferem na adoção de comportamentos disfuncionais, que podem levar a graves consequências para o seu futuro.
Diante da relevância social do tema e em atenção à saúde e qualidade de vida dos servidores técnico-administrativos, docentes e alunos do IFSUL, a PROGEP, por meio da Educação em Saúde, Qualidade de Vida e Segurança do Trabalho do NASS, apoia o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, alertando e sensibilizando a comunidade acadêmica e em geral sobre a importância da prevenção e do tratamento referente ao uso indevido de álcool e outras drogas.
Texto com base nas seguintes fontes:
- -Biblioteca Virtual em Saúde - MINISTÉRIO DA SAÚDE
- -Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira
- -MAZZAIA, M. C.; ZIHLMANN, K. F. Escola Paulista de Enfermagem (Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo)
-VARGAS, Annabelle de Fátima Modesto; CAMPOS, Mauro Macedo. A trajetória das políticas de saúde mental e de álcool e outras drogas no século XX. Ciência & Saúde Coletiva, 24 (3), 2019. -Escola Paulista de enfermagem/ unifesp Departamento de saúde coletiva - -UFPB –PROGEP - Publicado: 19/02/2021
- -Hospital Psiquiátrico Porto Seguro
Sugestões de leitura a quem possa interessar:
https://www.niaaa.nih.gov/publications/alcohol-and-adolescent-brain#:~:text=Para%20adolescentes%2C%20o%20consumo%20de,regi%C3%A3o%20do%20c%C3%A9rebro%20chamada%20am%C3%ADgdala. – Álcool e o cérebro adolescente –
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